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Mergulhando no Petróleo

Em entrevista, Paula Mirhan conta o que esperar de seu primeiro trabalho solo, previsto para 2020

Paula Mirhan está produzindo o seu primeiro trabalho solo, “Petróleo”
Foto por: Daniel Aguiar

Nascida em Corumbá, Paula Mirhan veio morar em SP há 18 anos. A mudança foi para viver daquilo que ama: a arte. Para isso, buscou se aprimorar ao máximo – é formada em Artes Cênicas pela UNICAMP e Canto Popular pela EMESP. Atualmente, participa da “Orquestra Mundana Refugi”, da banda “Filarmônica de Pasárgada” e de duas companhias de teatro (LCT  e Defeitos).

A artista sempre encantou com suas interpretações cheias de emoção, por isso muitos fãs e amigos a questionavam sobre a produção um trabalho autoral. Agora, motivada por uma busca pelo autoconhecimento, a cantora cria “Petróleo”, o seu primeiro disco solo.
Ainda em processo de finalização do disco, Paula conversou com o Noise Gate para contar mais sobre o trabalho que deve ser lançado em janeiro de 2020.

Leia a seguir:


Qual é a importância da arte em sua vida?

Além de ser o que eu resolvi fazer da vida, a arte é a maneira que eu escolhi de enxergar o mundo. Ela é um filtro na minha vida. É quase como se eu não conseguisse separar a maneira como eu vivo do meu discurso artístico. A arte me faz ter uma posição política; me faz olhar para o mundo de um outro jeito. Eu enxergo a arte de um modo um pouco romântico, e ser uma pessoa que  vive disso é um grande orgulho.

Pensando em como a arte é a sua forma de vida, como o disco “Petróleo” aparece em sua trajetória?

É um disco sobre um momento da minha vida e de muitas mulheres. A gente vem passando por um processo de entender os nossos feminismos e buscar quais são os nossos reais desejos. Por isso, parei e pensei sobre o que eu realmente quero dizer. Me aprofundei, e fui atrás de algumas sombras da minha vida. Nisso, descobri da necessidade de falar sobre o ódio. Entender o meu ódio como mulher, como filha, como artista. “Petróleo” faz parte dessas descobertas pessoais e profundas. Não são, necessariamente, leves, bonitas e legais, mas essas revelações me levaram a me colocar como pensadora e executora de um projeto artístico.

Qual é o significado de “Petróleo” ?

“Petróleo” é metáfora para o ódio. Essa metáfora não é minha. Veio do texto teatral de mesmo nome, escrito por Alexandre Dal Farra. Há uns 6 anos, participei de uma montagem da peça. A personagem que interpretei falava sobre o ódio; usando o petróleo como metáfora.
Ele é esse líquido viscoso, formado por debaixo de mares, campos de batalha e cidades. Quando vem à tona é explosivo, mas também pode ser combustível. Para mim essa é a busca: O entendimento do ódio, um afeto renegado. Vivemos em uma sociedade onde só o amor salva. Não estou contra o amor. Quero tocar nesse assunto [do ódio] de uma forma mais profunda, não quero idiotizar o ódio. É um disco que vai falar sobre como o entendimento desse afeto pode ajudar a resolver outros assuntos e sentimentos.

Como será a sonoridade do disco?

Faz um tempo que toco com Rui Barossi e André Bordinhon. Por isso, pensamos em uma sonoridade com essa formação. Nós três e nossas pedaleiras. É um disco de cordas; guitarra e violão tocados pelo André e baixos por Rui. Com as pedaleiras, a ideia é que o som possa ser usado limpo e também cheio de efeitos – para que a gente possa estragar e “sujar” o som.  
Além de nós três, chamamos o Sérgio Abdalla, que trabalha com eletroacústica, para também ser mais uma linha de composição dentro do disco. Eu entrego para ele as faixas gravadas e peço para ele colocar efeitos. São efeitos que vou tentar executar com a minha pedaleira, ou disparando coisas através do computador.

Você também está trabalhando em um novo disco da “Filarmônica de Pasárgada”. O fato de ter trabalhado em seu primeiro projeto solo mudou algo no processo de composição com o grupo?

Não mudou muito não. O Marcelo [Segreto] é um cara que sempre me incentivou a compor. Eu componho com ele desde o segundo disco da Filarmônica. Inclusive, no “Petróleo” tenho uma colaboração com ele – ainda precisamos finalizar [risos].


Ouça Paula Mirhan cantar:

Paula e André Bordinhon interpretam Gilberto Gil

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