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O Terno: Amadurecendo com Ternura

A banda O Terno: Guilherme D’Almeida , Tim Bernardes e Biel Basile | Foto por: Erich Mafra

Confira abaixo uma entrevista com o líder da banda O Terno, Tim Bernardes, que conta um pouco sobre  as inspirações, o processo criativo e a temática do mais recente disco da banda. O álbum, intitulado <atrás/além> foi mixado pelo próprio músico.

 

Os álbuns do Terno sempre têm muita liberdade entre as músicas. Já o Recomeçar (disco solo de Bernardes), apresenta uma unidade temática. Onde o novo álbum se encaixa?

Acho que esse é o primeiro álbum da banda que apresenta uma unidade temática. Ele tem muito a ver com uma coisa de desapego, de mudança de fase, do momento que estamos da nossa geração, com 20 e tantos anos, já ficando mais velhos. A vida adulta, o fim de uma fase que passou. Então, acho que são desdobramentos disso. Reflete muito sobre o tempo. Tem músicas de amor e desapego.

 

E referências musicais? O que vocês buscaram para este disco?

Tem essa coisa de uma ponte com o que a gente fez, o que a gente quer fazer, o que se fazia nos anos 60, que a gente gosta, e o que se faz no indie de hoje. Ele é um disco que explora ainda mais as possibilidades de orquestração. E o trio, menos como um power trio de rock and roll, e sim uma coisa mais de violão. O violão como um elemento estético, não uma coisa careta, para trabalhar em cima. É um disco mais calmo, mais de canções.

 

Você comentou de orquestração. O Melhor do que Parece, álbum anterior da banda, contou com músicos convidados para isso. Esse novo álbum também terá?

Sim! Inclusive, muitas pessoas que tocaram no último álbum. O álbum conta com tuba, sax, trompete, trombone e vibrafone, um instrumento que nunca utilizamos. Tem também violinos, tocados pelo Felipe Pacheco do Baleia. Essa parte toda vem de amigos/músicos bacanas (e camadas e mais camadas deles no estúdio, para soar uma coisa grande).

 

O processo de composição mudou muito para o álbum novo, <atrás/além>?

Eu não tenho um processo de composição muito específico. Eu estou sempre atento para o produto final da coisa, e os meios variam muito. O que tem de diferente nesse disco, é que depois de gravar o Recomeçar, eu já tinha gravado todas as músicas que eu havia composto. Eu zerei o meu baú, e isso nunca tinha acontecido antes. De repente, eu me vi sem nenhuma música, e com essa vontade de ver o disco do Terno. Esse vazio movimentou muito a coisa. As canções têm muito a ver com isso. Elas vieram em um período de meses muito curto, então elas conversam muito entre elas. Acho que isso é uma coisa marcante do processo de composição do disco.

 

Como você entende as letras do disco? O seu lirismo desenvolveu?

Elas são variadas entre elas, cada uma tem um tipo de literatura. Mas acho que desenvolveu sim, não sei direito explicar. De alguma forma, eu tenho um jeito de compor que é muito concreto sobre as coisas, eu falo do que aconteceu, tento ser claro, E nesse disco, tem muitas coisas que são mais abstratas. Tem essa coisa que é poética e concreta ao mesmo tempo. Isso é uma coisa específica desse disco.

 

Quais as expectativas que vocês têm com essa fase do novo disco?

A gente nunca tem muito como saber antes. Nós temos planos, de como deixar o disco mais bonito possível, a arte gráfica, clipes que de fato sejam um retrato deste momento etc. Cada disco nosso tem muita identidade, então isso segue nesse disco. Acho que conquistamos uma coisa de público, de conseguir fazer shows em teatros bacanas, e com a bilheteria esgotada, que estamos trabalhando e ainda vamos trabalhar bastante. O Terno tem um som muito particular, mas que é muito voltado a falar com todos. 

 

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