Browse By

Um papo com (Sandy) Alex G sobre sua carreira

No ano passado, (Sandy) Alex G lançou seu oitavo disco, House of Sugar. Foto por: Tonje Thilesen

Nos dias 15, 16 e 17 de janeiro, o cantor e compositor (Sandy) Alex G se apresentará pela primeira vez no Brasil – a turnê contará com um show em Porto Alegre (15) e dois em São Paulo (16 e 17). Em 2020, o artista completa 10 anos de carreira; ele começou a gravar música sozinho aos 16 anos de idade.

Prolífico, Alex G conquistou alguma fama lançando suas gravações caseiras pela plataforma online Bandcamp. Em 2015, após chamar atenção na cena independente, assinou contrato com a gravadora Domino, que já lançou artistas como Dirty Projectors, Animal Collective e muitos outros.

Seu currículo já conta  com oito álbuns solo e colaborações importantes em Blonde e Endless, trabalhos lançados por Frank Ocean. O mais recente trabalho de (Sandy) Alex G é House of Sugar (2019), seu terceiro disco gravado com a Domino. O repertório de seus shows no Brasil será focado nesse álbum, mas contemplará toda sua carreira.

O Noise Gate conversou com o músico para debater sobre sua carreira, música e inspirações. Confira o resultado abaixo:

Antes de se dedicar totalmente à música você trabalhou em um asilo. Como foi essa experiência? Ela afetou de alguma forma em sua música?

Foi divertida. Eu era um pouco insensível por ser adolescente; achava engraçadas algumas coisas que hoje não vejo graça. Sempre via idosos fazendo coisas estranhas. Acho que as pessoas ficam mais desinibidas com a idade. Apesar da imaturidade, a experiência me fez criar mais sensibilidade. Ela não afetou diretamente a minha música, mas me fez ser mais produtivo. Nessa época, aprendi a usar mais do meu tempo livre para fazer música.

Por causa de sua “origem” no Bandcamp, muitos te classificam como um artista lo-fi (baixa fidelidade). Você se identifica com isso ainda?

Para ser honesto, nunca pensei isso. Mesmo no começo, nunca enxerguei minha música como lo-fi. Sempre me esforcei para conseguir o máximo de qualidade sonora na produção. Me sinto até um pouco ofendido quando afirmam que minha música é lo-fi. No começo, sempre pensava: “Ei, eu me esforcei tanto para fazer parecer que foi gravado em um estúdio”. Acho que agora eu não dou muita bola. Quem sabe algum dia não serei mais reconhecido como lo-fi.

Tenho a sensação que seu novo disco, House of Sugar, já mostra um som mais maduro.

Sim! Fico feliz que pense isso. Para a gravação dele, usei um microfone melhor do que eu tinha.  Isso com certeza me ajudou a captar essa energia.

Além da questão do áudio, suas composições de House of Sugar contam com uma estrutura mais complexa. Como foi o seu processo para pensar em cada faixa?

Como faço as músicas em casa, posso passar muito tempo trabalhando em cima delas. Volto para elas no meu próprio tempo e consigo ouvi-las centenas de vezes. Aos poucos vou adicionando pequenas melodias em cima. Quando percebo, tenho umas 20 camadas diferentes resultantes desse processo.

Geralmente, você cria a base delas a partir de onde? Da guitarra?

Quase sempre começo com a guitarra base. Penso em uma progressão de acordes e depois em uma melodia. Isso tudo tem que ressoar dentro de mim. Se não, acabo descartando a ideia. Eu sempre estou tocando guitarra, mas muitas vezes não me identifico com aquilo que está saindo dela.

Hope é uma das canções que mais me chamou a atenção em seu trabalho novo. Ela é muito bonita, mas sua letra é relacionada a um problema gigante (a crise de opioides nos EUA). Sei que ela é explicável por si só, mas pode falar um pouco mais sobre ela?

É uma história sobre meu amigo que morreu após uma overdose de fentanil. Senti que poderia pegar esse acontecimento para escrever uma música. As pessoas costumam a me perguntar se foi uma composição catártica, mas não foi.

É uma temática que funciona para o storytelling que você gosta de utilizar em suas letras, certo?

Sim. Busquei tentar tornar essa história triste em uma música que fosse tocável para outras pessoas.

O que pensa de músicos que compõe letras que exaltam o uso de opioides?

Eu não sei. Realmente não tenho um posicionamento sobre isso. Acho que cada artista está apenas tentando vender o seu trabalho. Mesmo eu, tocando essa música sobre um amigo que teve overdose, estou tentando vender meu disco. Então não creio que exista uma raiz moral nisso. Nenhum caminho é mais nobre que o outro. Estamos apenas vendendo os nossos trabalhos.

Você trabalhou com Frank Ocean nos álbuns Endless e Blonde, lançados por ele em 2016. Gravar com ele alterou alguma coisa no seu processo de criação musical?

Esse trabalho me fez mais aberto a estar em um estúdio e sobre uma espécie de controle. Admiro como o Frank, mesmo trabalhando com muitas pessoas, conseguiu manter o controle sobre a produção de sua obra. Espero conseguir fazer isso algum dia.

House of Sugar é o seu terceiro álbum com a gravadora Domino. Assinar contrato com eles influenciou na sua produção?

Eles são muito tranquilos. Me deixam gravar no meu ritmo; nunca colocaram prazos ou algo assim. Apenas aviso quando o trabalho está pronto e eles tentam lançar em alguns meses. Sou muito grato.

Quais influências você buscou para a gravação de seu novo disco?

Eu estava ouvindo bastante Lucinda Williams e o Harvest Moon do Neil Young. Acho as harmonias deste disco muito incríveis. Elas me inspiraram muito. Quase só ouvi esses dois artistas durante o processo de composição.

Esta será sua primeira vez tocando no Brasil. Qual é a sua expectativa com o show?

Não sei muito o que esperar. Quero apenas que seja um ótimo show!

One thought on “Um papo com (Sandy) Alex G sobre sua carreira”

  1. Paula says:

    …e será um ótimo show!!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *