Browse By

Laura Bettinson fala sobre o novo álbum do Ultraísta

Ultraísta

Sister é o primeiro disco lançado pelo trio Ultraísta (Laura Bettinson, Joey Waronker e Nigel Godrich) em 8 anos. Foto: Divulgação

Na sexta-feira (13/03), o trio Ultraísta lançará o seu primeiro trabalho de estúdio em oito anos.  O disco chama-se Sister e conta com nove músicas inéditas. O projeto é encabeçado por Nigel Godrich (produtor do Radiohead), Laura Bettinson (FEMME) e Joey Waronker (baterista para artistas como Beck, Roger Waters e outros).

Para divulgar o disco, foram lançados os singles Tin KingAnybody.

Em entrevista exclusiva ao Noise Gate, Laura conversou sobre o projeto, a demora para  o lançamento de um novo álbum e sua carreira. Para saber mais, leia a íntegra da entrevista abaixo:

Por que vocês levaram tanto tempo (8 anos) para retornar com um novo trabalho?

Após terminarmos o primeiro álbum, cada um de nós se envolveu com diferentes projetos. Todos estavam com as agendas corridas, não foi como se tivéssemos parado em casa. Além disso, como vivemos em diferentes países, o processo de composição do projeto demora um pouco mais ( Eu vivo no Reino Unido, Joey em Los Angeles e Nigel entre diferentes lugares). Não é sempre que conseguimos ficar juntos na mesma sala. Para Sister, assim que nos juntamos tudo fluiu rapidamente. Nos últimos meses de produção, eu e Nigel trabalhamos de maneira muito intensa para levar o material até a linha de chegada.

Após o primeiro disco do Ultraísta, você se dedicou ao  seu projeto solo como FEMME. Como essa experiência influenciou sua forma de compor e o seu trabalho com o Ultraísta?

Sinto que o caminho foi contrário. O Ultraísta teve um profundo impacto no meu trabalho solo.  Pois foi todo o processo daquele primeiro disco que me inspirou a buscar uma forma de produzir para o meu próprio trabalho.  Se eu não tivesse desenvolvido aquele lado criativo durante a gravação de Ultraísta, eu teria muita dificuldade em desenvolver um senso crítico sobre o meu próprio trabalho.

Os dois singles lançados para promover o Sister demonstraram dois estilos de sons muito diferentes. Que sonoridade podemos esperar do trabalho?

Este álbum é uma progressão natural para o grupo. É um som mais maduro e focado. De forma muito consciente, Nigel preferiu gravar mais músicas do que se prender a uma estética sonora básica para as composições. Quando fizemos o primeiro disco, fomos mais flexíveis com nossas críticas pois ainda estávamos aprendendo a trabalhar juntos. Já em Sister, a maioria das ideias veio, inicialmente, dos encontros entre nós três. Depois eu e Nigel mexemos em algumas coisas (especialmente o Nigel, que passou mais tempo editando e refinando nossas gravações e ideias). É um som diferente, mas ainda é muito Ultraísta e abstrato.

Na primeira vez que o grupo tentou fazer turnê, uma série de percalços e problemas pessoais acabaram encurtando a experiência ao vivo. Quais os planos para este novo trabalho?

É realmente complicado alinhar a agenda de todos, mas faremos algumas apresentações. Estamos ensaiando para sessões de rádio e alguns eventos de lançamento. Infelizmente, acho que uma turnê maior não será possível – eu adoraria conhecer o Brasil (ouço coisas incríveis sobre o país). Como disse, é complicado por morarmos em continentes diferentes, mas provavelmente faremos alguns shows nos EUA e na Europa ao longo do ano.

O álbum conta com estruturas que podem ser complicadas para um trio fazer ao vivo. Como está sendo a a preparação para os shows?

Ao vivo, muitas coisas acontecem ao mesmo tempo. Todos temos muitos botões para apertar. É uma experiência que me anima muito, pois abre espaço para muita experimentação com os sons que foram gravados. Felizmente, desta vez contaremos com um par extra de mãos para nos ajudar a reproduzir alguns sons mais melódicos de Sister [Katie Dove Dixon é o reforço do Ultraísta em sua turnê].

Como estão os ensaios?

Eu estou muito feliz por voltar aos palcos – vinha me dedicando mais a tocar DJ sets do que cantar. É interessante voltar a pegar em um microfone. Fora isso, todos estávamos meio apreensivos por voltar a tocar juntos após oito anos, mas assim que nos reunimos tudo se encaixou.

Considerando os oito anos passados, como você percebe sua evolução como cantora?

Eu sempre cantei desde muito nova – desde os 5 anos já gostava dos holofotes.  Acho que aos 15 anos eu encontrei uma voz que me sentia mais confortável. Hoje considero que busco uma versatilidade. Percebo que a minha voz muda muito entre as minhas canções solo (com uma pegada mais pop) e o trabalho com o Ultraísta. Estranhamente, o Nigel é o único que consegue tirar essa voz de mim. Acho que isso se dá ao fato de eu não estar acostumada a trabalhar com outros produtores – ainda mais com um profissional com as credenciais do Nigel.

Você se enxerga mais como produtora ou cantora?

Acho que me considero uma artista que se autoproduz. Cantar é apenas um elemento que uso na minha composição. Apesar de ter uma voz legal, o que eu realmente  amo é estar no estúdio e trabalhar em músicas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *