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Entrevista: M.I.L.K. discute a produção de seu debute

No começo deste ano, M.I.L.K. lançou o seu debute solo. Foto: Divulgação

Em entrevista exclusiva para o Noise Gate,  o cantor/compositor dinamarquês Emil Wilk / M.I.L.K. discutiu sua carreira e a produção do seu primeiro disco solo “Always Summer Somewhere“, que conta com as participações de Criolo e Benny Sings. O álbum é uma obra extremamente coesa e cumpre o que promete: trazer aos ouvidos uma sonoridade alegre e reminiscente do verão.

Antes do lançamento deste trabalho, M.I.L.K. lançou os ótimos miniálbuns “Maybe I Love Kokomo“(que referencia uma das músicas mais duvidosas da carreira dos Beach Boys) e “A Memory Of A Memory Of A Postcard”.

Para conhecer o que há por trás de seus trabalhos, confira a entrevista abaixo:

Seu primeiro LP solo foi lançado neste ano. Qual a sensação de divulgar seu trabalho?

Cara, é uma sensação incrível. Testei mais de 100 direções sonoras para descobrir como eu queria que o álbum de estreia soasse. Fiquei muito bem quando finalmente achei algo que me permitisse compor uma canção após outra. Desde então, estive completamente no modo álbum e escrevi mais de 110 demos. Tenho muito orgulho das 14 canções que estão no disco.

Qual a principal diferença entre trabalhar em um EP e em um álbum?

Entendo que os EP’s são algo para explorar e experimentar, já álbuns são diferentes declarações artísticas. Os álbuns serão o que eu gostaria de mostrar aos meus netos daqui 50 anos.

Geralmente, produtores que lançam discos solo costumam a ser muito meticulosos com o trabalho.  Este é o seu caso?

Perfeccionismo é algo que levo a todos projetos que faço parte. Seja como produtor ou compondo, para mim fazer música é uma dinâmica de vaivém entre decisões intuitivas e a exploração minuciosa de detalhes.

Para a canção “Prisoner”, você trouxe Benny Sings ao álbum. A música mistura muito bem o estilo de ambos, como foi o trabalho?

Eu sou um grande fã do Benny. Por isso foi um sonho quando ele me convidou para seu estúdio em Amsterdam. Ficamos 3 dias trabalhando em 5 músicas e nos conectamos logo de cara. O estúdio é bem peculiar; ele fica debaixo de uma ponte e com canais por todos os lados. Essa vibe de estar tão perto da água definitivamente foi uma configuração inspiradora. Quero muito voltar lá e produzir mais música. É um lugar mágico.

Outro convidado ilustre é o rapper brasileiro Criolo. Qual a sua relação com o trabalho dele? Você gosta de algum outro artista do Brasil?
Criolo é um dos meus artistas favoritos da América do Sul. Adoro os seus trabalhos mais antigos e também seu disco mais recente [Espiral de Ilusão, que possui uma sonoridade mais ligada ao samba]. A produção e as melodias são muito vívidas e orgânicas.  Gosto muito também das músicas do Seu Jorge. Sonho em ir ao país para fazer um mês de sessões com todos os artistas que admiro.

Você pretende fazer uma turnê com o material do disco?

Eu tinha uma turnê planejada, mas agora tudo está em suspensão por conta da situação do Corona. Ainda não tive chances de tocar no Brasil, mas é o lugar do mundo que tenho mais vontade de ir agora. Assim que possível estarei por aí.

Como foi a sua iniciação musical?

Meu caminho até a música foi muito diferente daquele de muitos artistas. Originalmente, eu apenas escrevia poemas e apresentava um programa na TV da Dinamarca. Eu comecei tarde a minha carreira musical, mas me viciei assim que comecei a compor. Parei tudo que fazia para mergulhar na produção e no universo da composição. Tive alguns ótimos mentores que me mostraram como tudo é feito. Desde então, não consigo mobilizar energia para nada além de trabalhar em músicas para mim e outros artistas. É engraçado como a vida pode lhe surpreender.

Quem são seus heróis musicais?

Curtis Mayfiled, Daft Punk, Gorillaz, Jungle, Pharrell, Chic, Outkast, C.V Jørgensen, Nils Frahm, Q-tip, Rick Rubin e Kevin Parker.

O que você  acha da música Kokomo? O nome do EP “Maybe I Love Kokomo” foi só uma maneira divertida de fazer um acrônimo para M.I.L.K.? Ou você realmente acredita que talvez ame a canção?

Foi mais uma brincadeira mesmo. Aquele EP foi  um estudo sobre o formato pop. Por isso, pensei que seria divertido referenciar uma das músicas mais pop da carreira dos Beach Boys. Não gosto muito da canção, mas ela é bonitinha. Esse é o segredo do pop. Cola na cabeça, mas sai rapidamente da memória. Tenho muito orgulho daquele EP, mas fico feliz de ter tirado do meu sistema essa ideia do pop arrasador antes de fazer o meu disco de estreia, que é um pouco mais relaxado e feito para satisfazer os ouvidos.

Qual é o segredo para compor uma música pop legal?

Faça a música que você gostaria de ouvir, mas não consegue encontrar no mundo.

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